O Desafio do Crescimento Sustentável no Brasil
(Crescimento econômico sustentável exige bases sólidas, como ganhos de produtividade, investimentos de longo prazo e uma política fiscal equilibrada.)
Lucas Borges*
A recente alta nos preços de alimentos, serviços, alugueis, automóveis e viagens internacionais reflete a fragilidade da economia brasileira. Esses aumentos são resultado de políticas que priorizam o consumo sem o devido suporte produtivo, um modelo já testado no passado com resultados insatisfatórios.
Crescimento econômico sustentável exige bases sólidas, como ganhos de produtividade, investimentos de longo prazo e uma política fiscal equilibrada. Quando o avanço é impulsionado artificialmente por incentivos momentâneos, cria-se uma falsa sensação de prosperidade, que logo se dissipa, resultando em ciclos de expansão e retração. Esse padrão de crescimento intermitente tem mantido o Brasil preso à “armadilha da renda média”, dificultando o alcance de um patamar superior de desenvolvimento.
Nos últimos quatro anos, o Brasil experimentou um ciclo de crescimento mais robusto, essencial para a redução da pobreza e aumento do bem-estar. O desafio agora é garantir que essas melhorias não sejam revertidas por pressões inflacionárias ou instabilidades econômicas que corroem o poder de compra das famílias.
Para romper com esse ciclo e garantir um crescimento duradouro, é fundamental adotar políticas públicas que estimulem a produtividade, inovação e atração de investimentos. Isso consolida um modelo econômico que promove desenvolvimento sustentável e estabilidade no longo prazo.
Além disso, os desafios se intensificam com a persistência da inflação e as altas taxas de juros. O aumento do custo de vida reduz o poder de compra, enquanto os juros elevados encarecem o crédito e desestimulam investimentos. O governo e o Banco Central enfrentam o desafio de controlar a inflação sem prejudicar o crescimento econômico.
O cenário global também adiciona pressão. As tensões geopolíticas, a desaceleração das grandes economias e a volatilidade dos mercados financeiros exigem um ajuste fiscal urgente. O orçamento para 2025 ainda não foi definido, e há propostas que aumentam os gastos públicos, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil mensais, impactando em R$ 27 bilhões as contas públicas. Para compensar, o governo propõe taxar dividendos acima de R$ 50 mil mensais em 10%.
A eficácia dessa medida dependerá da capacidade de arrecadação e da reação dos investidores. Ainda não está claro se isso será suficiente ou se poderá resultar em bitributação, afinal as empresas já são taxadas sobre seus lucros.
Nesse momento é essencial que o governo adote uma política fiscal responsável, que preserve o crescimento econômico e a competitividade do país.
Por fim, olhando para fora, quais são as oportunidades para o Brasil na guerra comercial entre EUA e China? Essa será a pauta do próximo jantar do Mercado e Opinião, com:
- Mansueto Almeida, Economista Chefe do BTG Pactual
- Luciano Costa, Economista Chefe da Monte Bravo
- Mário Mesquita, Economista Chefe do Itaú
- Felipe Salto, Economista Chefe da Warren Investimentos
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Nos encontramos lá!
*Lucas Borges, pesquisador e financista, especialista em Private Equity pela HBS e Financial Accounting pela LSBF.
Membro do Comitê de Empresas Familiares do Insper e Membro do Harvard Alumni Club Brazil (HACB)