Por Lucas Borges
Em meio a um cenário global ainda marcado por incertezas, o Brasil volta a discutir seus próprios vetores de crescimento. Internamente, o debate ganha contornos ainda mais sensíveis diante da trajetória recente da política monetária, do desafio fiscal persistente e da necessidade de destravar investimentos em infraestrutura e produtividade.
Nesse contexto, o ambiente empreendedor continua sendo um termômetro relevante. Tanto pela sua capacidade de geração de emprego e renda, como por refletir, em tempo real, a qualidade das condições institucionais e econômicas do país. A pergunta que se impõe, portanto, é: o que, de fato, molda o empreendedorismo no Brasil hoje?
O Estado segue como um agente estruturante. Sua atuação define desde o custo de capital até o nível de complexidade regulatória enfrentado por empresas. Movimentos recentes de flexibilização monetária, com a redução gradual da taxa básica de juros, apontam para um alívio potencial nas condições de crédito. Ainda assim, a sustentabilidade desse ciclo depende de sinais claros de disciplina fiscal e previsibilidade institucional, elementos fundamentais para a retomada consistente dos investimentos.
É, porém, na dimensão da narrativa que se observa a transformação de um ecossistema cada vez mais influenciado por fluxos globais de informação. A percepção sobre o país exerce impacto direto na economia real. A previsibilidade sobre responsabilidade fiscal, compromisso com reformas e ambiente de negócios não apenas moldam expectativas, mas influenciam decisões concretas de investimento, tanto doméstico quanto estrangeiro.
A interação entre estado, mercado e narrativa ajuda a explicar por que o Brasil avança de forma cíclica, alternando momentos de otimismo e retração. Quando há alinhamento entre política econômica, confiança dos agentes e clareza de direção, o país acelera. Quando esse equilíbrio se rompe, o crescimento perde tração.
O desafio, portanto, não reside em determinar qual desses elementos deve liderar, mas em construir uma coordenação mais eficiente entre eles. A capacidade de articular políticas públicas consistentes, mercados dinâmicos e narrativas críveis pode ser o diferencial entre estagnação e crescimento sustentado.
É a partir dessa reflexão que o próximo jantar do Mercado & Opinião propõe o debate. O encontro reunirá Flávio Rocha, empresário e presidente do Conselho de Administração da Riachuelo; Alfredo Cotait, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil; João Vitor Xavier, CEO da CNN Brasil; e Tarcísio de Freitas, governador do Estado de São Paulo — quatro vozes que participam ativamente da construção desses vetores e de sua influência sobre o empreendedorismo no país.