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Índice Mercado & Opinião aponta um 2026 de crescimento seletivo e estratégico

Previsibilidade regulatória e segurança jurídica são vistas como fatores tão relevantes quanto indicadores financeiros para destravar investimentos de médio e longo prazo.

Stefany | Animo Creative

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Por Lucas Borges

Crescer deixou de ser um processo automático e passou a exigir precisão estratégica. Esse já é um movimento consolidado e amplamente discutido no contexto da ambidestria empresarial. O capital está mais criterioso, os projetos precisam demonstrar retorno claro, e as decisões de investimento tornaram-se mais seletivas.
Diante das transformações constantes que o mercado impõe, em dezembro, juntamente com o Mercado & Opinião, sob a liderança de Marcos Koenigkan, presidente do grupo, lançamos o Índice Mercado & Opinião sobre as perspectivas para 2026. O objetivo é mapear, de forma recorrente, a percepção dos empresários de diferentes setores sobre o cenário econômico e trazer insights acionáveis para a tomada de decisão.
Esse primeiro levantamento, realizado com os membros do grupo, trouxe sinais importantes para o início do ano. Os dados indicam que o empresariado opera em um ambiente de estabilidade sem conforto. Não há indícios de retração severa, mas também não se observa um cenário favorável à expansão agressiva. A postura predominante é defensiva, com foco na preservação de caixa, eficiência operacional e redução de riscos.

Investir, mas com cautela

Apesar de um otimismo moderado dos empresários em relação ao ano, vemos uma disposição para investimento, algo que reflete, em grande parte, necessidades operacionais. O investimento novo, de maior risco, segue sendo tratado com cautela. O capital permanece seletivo.
Na prática, isso significa que o crescimento de 2026 tende a ser mais pontual e orientado por projetos com retorno claro. As prioridades estratégicas das empresas se concentram em três frentes: expansão controlada, inovação como ferramenta de eficiência e disciplina de custos. O foco deve ser crescer com previsibilidade.

Crédito restrito, estratégia mais refinada

A dificuldade de acesso a financiamento continua influenciando decisões empresariais. Setores mais sensíveis ao custo de capital, como indústria, construção e serviços, mantêm uma postura conservadora. Mesmo quando surgem oportunidades, a tendência é priorizar projetos com impacto direto na produtividade e no fluxo de caixa.
No comércio, a pressão simultânea sobre custos e demanda reforça a busca por eficiência e ajustes nos modelos operacionais. Já o setor de tecnologia preserva uma visão estruturalmente mais otimista, impulsionada por automação, digitalização e inteligência artificial, ainda que os investimentos ocorram de forma gradual.

Crescer melhor

O retrato que emerge para 2026 é o de um crescimento mais qualitativo do que volumétrico. Empresas com governança clara, planejamento financeiro consistente e posicionamento estratégico definido tendem a se destacar na disputa por capital, clientes e talentos.
Além disso, ativos intangíveis ganham peso crescente. Marca, reputação, cultura organizacional e capacidade de adaptação passaram a influenciar diretamente a percepção de valor das empresas.
O empresariado também demonstra maior atenção ao ambiente institucional. Previsibilidade regulatória e segurança jurídica são vistas como fatores tão relevantes quanto indicadores financeiros para destravar investimentos de médio e longo prazo.

O debate que 2026 exige

Para aprofundar esses e outros temas, o Mercado & Opinião promove, no dia 27, um jantar que reunirá Roberto Sallouti, presidente do Banco BTG Pactual; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o economista Bruno Musa; e Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, para discutir as perspectivas políticas e econômicas para 2026.
Neste ano, o desafio não é apenas crescer.
É crescer melhor.