Crescimento sob restrição: o que o debate sobre 2026 revela ao empresário
Por Lucas Borges
O debate sobre 2026 foi o tema do último encontro promovido pelo Mercado & Opinião, que reuniu Roberto Sallouti, presidente do Banco BTG Pactual; Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central; o economista Bruno Musa; Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo; Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico; e Marcelo de Carvalho, que contribuiu conduzindo perguntas e provocando o aprofundamento do debate.

Capital disponível, risco menos tolerado
Do ponto de vista financeiro, Roberto Sallouti trouxe uma leitura alinhada ao que vem sendo observado em fóruns internacionais, como o World Economic Forum: o capital segue disponível, mas o apetite a risco diminuiu. Projetos precisam demonstrar retorno claro, governança consistente e capacidade de execução.
A expansão está no crescimento da receita, previsibilidade de caixa, eficiência e disciplina. Para o empresário, a mensagem é: investir continua sendo possível, desde que o risco esteja bem definido e o retorno seja defensável.

Segurança jurídica como variável econômica
A presença de Felício Ramuth e Jorge Lima reforçaram um tema caro aos empresários: a segurança jurídica é uma variável econômica concreta.
Ambientes com previsibilidade regulatória, estabilidade contratual e coordenação entre políticas públicas reduzem o custo do capital e ampliam o horizonte de planejamento das empresas. Países e regiões que conseguem crescer de forma consistente fazem com incentivos ancorados em regras claras.
Nesse sentido, inovação pública, digitalização do Estado e simplificação regulatória aparecem como fatores estruturais de competitividade.

A leitura técnica do ciclo
Na análise mais técnica, Luiz Fernando Figueiredo destacou que o cenário atual favorece empresas com balanços mais sólidos e menor dependência de alavancagem. Em ciclos de maior restrição, a resiliência financeira passa a ser vantagem competitiva.
Bruno Musa complementou essa leitura ao observar que ambientes como o de 2026 tendem a punir decisões precipitadas. O custo do erro aumenta, e a preservação de opcionalidade (a capacidade de reagir e ajustar rota) se torna estratégica.
Não se trata de evitar investimento, mas de selecionar melhor onde, quando e como investir. Estamos falando de um ano eleitoral.

Estratégia empresarial em um ambiente mais exigente
O efeito combinado desse cenário é um crescimento mais qualitativo do que volumétrico. A inovação passa a ser usada como ferramenta de eficiência, e a expansão ocorre de forma localizada, orientada por dados e retorno mensurável.
Marcelo de Carvalho, ao provocar os participantes ao longo do debate, ajudou a deslocar a conversa, reforçando que o empresariado busca mais clareza sobre riscos, escolhas e prioridades.
2026
2026 não se apresenta como um ano de crescimento fácil, mas pode ser um ano de decisões melhores.
Crescer deve exigir leitura fina do cenário econômico, atenção às variáveis institucionais e disciplina estratégica. Segurança jurídica passa a integrar a equação financeira.

“O capital continua disponível, mas apenas para quem souber alinhar risco, retorno e execução” – Marcos Koenigkan, CEO Mercado & Opinião