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O CEO como alocador de capital

Em uma perspectiva mais ampla, o crescimento da nova economia tende a ser sustentado pela combinação entre produtividade, capital humano e qualidade institucional. Uma lógica que vale igualmente dentro das empresas.

Stefany | Animo Creative

Artigo 15 De Mai. De 2026 11 22 34

O CEO como alocador de capital

Por Lucas Borges

Em geral, a liderança empresarial é descrita em termos de visão, carisma e capacidade de inspirar pessoas.

Na prática, porém, o papel de um CEO é alocar recursos escassos em um ambiente de incerteza. Tempo, capital, talento e atenção gerencial são limitados e, no fim, liderar significa decidir onde esses recursos serão concentrados e, principalmente, o que deixará de receber prioridade.

Essa leitura ganha relevância em um momento em que o capital continua abundante. O relatório The Future of Venture Capital: Unlocking Liquidity and Growth, publicado pelo World Economic Forum em parceria com a Stanford Graduate School of Business, mostra que a indústria global de venture capital tem administrado cerca de US$ 3,5 trilhões e financiado mais de 250 mil empresas ao longo dos últimos vinte anos. Ao mesmo tempo, aproximadamente US$ 3,2 trilhões em valor ainda não realizado permanecem “presos” em portfólios privados, reduzindo a velocidade com que esse capital retorna ao sistema para financiar a próxima geração de empresas.

Esse dado sugere uma mudança de paradigma. Em um passado recente, marcado pela liquidez abundante do período pós-pandemia, muitas empresas eram valorizadas sobretudo pela promessa de crescimento. Hoje, o foco voltou-se para a capacidade de converter expansão em resultados concretos e sustentáveis.

Mais do que isso, o capital não desapareceu. Na verdade, nunca houve tanto dinheiro disponível para financiar inovação. O que mudou foi o nível de exigência. Investidores continuam dispostos a apostar em ideias transformadoras, mas com padrões mais rigorosos de governança, eficiência e clareza estratégica.

Essa mudança é particularmente visível no avanço da inteligência artificial. Em 2025, mais da metade do volume global de venture capital foi direcionada para empresas de IA e, no primeiro trimestre de 2026, quatro mega captações responderam por cerca de 65% de todo o investimento realizado no período.

Podemos citar Peter Drucker que dizia que a essência da gestão está em concentrar recursos onde eles geram maior resultado.

Essa definição talvez seja a forma mais precisa de compreender a liderança contemporânea.

O CEO atua como o principal “chief capital allocator” da organização. Decide onde investir, quais talentos atrair, quais projetos acelerar, quais iniciativas encerrar e quanto risco a empresa pode absorver.

A qualidade dessas decisões tende a determinar, no longo prazo, o valor econômico do negócio.

Em uma perspectiva mais ampla, o crescimento da nova economia tende a ser sustentado pela combinação entre produtividade, capital humano e qualidade institucional. Uma lógica que vale igualmente dentro das empresas.

ref: WEF_The_Future_of_Venture_Capital_2026.pdf