A competitividade do Paraguai para atrair investimentos
Por Lucas Borges
A discussão sobre competitividade empresarial na geografia dos negócios passou a integrar o núcleo da estratégia corporativa.
Esse movimento vem ganhando força em diversos setores e ajuda a explicar por que o Paraguai passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante no radar de empresários brasileiros.
O interesse decorre de custos menores e a combinação entre previsibilidade regulatória, energia competitiva, simplicidade tributária e uma política industrial voltada à atração de capital produtivo.
Grandes empresas sempre revisam estruturas, buscam eficiência e reavaliam suas cadeias de suprimento, então o País tem sido uma escolha natural para alguns setores.
O principal instrumento dessa estratégia é o regime de maquila, que permite importar insumos, industrializar localmente e exportar a produção com tributação simplificada. Na prática, o modelo cria um ambiente que favorece operações intensivas em manufatura e exportação.
Os resultados são expressivos. Em 2025, as exportações realizadas sob o regime de maquila superaram US$ 1,3 bilhão e o setor ultrapassou 35 mil empregos formais. Hoje, mais de 300 empresas operam nesse sistema, com presença relevante de grupos brasileiros nos segmentos têxtil, autopeças, alimentos, plásticos, eletroeletrônicos e bens de consumo.
O Paraguai construiu uma proposta de valor baseada em atributos que se tornaram escassos em muitas economias: estabilidade, baixo custo de energia, clareza regulatória e alinhamento entre governo e iniciativa privada.
A energia elétrica é um ótimo exemplo. Beneficiado pela produção de Itaipu, o país oferece uma das estruturas energéticas mais competitivas da região, fator especialmente relevante para indústrias intensivas em consumo energético.
Além disso, o Paraguai mantém, historicamente, inflação controlada, carga tributária relativamente simples e uma política ativa de atração de investimentos. O resultado é um ambiente que reduz incertezas e melhora o retorno ajustado ao risco.
Para o empresário, ao escolher onde produzir, a empresa define sua estrutura de custos, sua capacidade de competir, sua margem operacional e, em última análise, seu potencial de geração de valor.
É um caso interessante de política industrial aplicada.
Mais do que oferecer incentivos, o país vem demonstrando como estabilidade, simplicidade e segurança jurídica podem se transformar em ativos econômicos.
E esse é o tema de discussão que estará no próximo encontro do Mercado & Opinião.
O jantar reunirá Marco Riquelme, ministro da Indústria e Comércio do Paraguai e responsável pela agenda de atração de investimentos; Jorge Bunchicoff, presidente da Câmara de Empresas Maquiladoras, uma das principais vozes do setor; Liliana Aufiero, presidente do Grupo Lupo, referência da indústria têxtil brasileira; e Erasmo Carlos Battistella, presidente da BE8, empresa que se consolidou como uma das mais relevantes plataformas de biocombustíveis da América Latina.
“Um tema que foi muito pedido e reunimos líderes com trajetórias distintas, mas conectados por uma mesma questão estratégica” – Marcos Koenigkan, CEO Mercado & Opinião.

No fim, empresas não competem apenas pela qualidade de seus produtos ou pela eficiência de sua gestão. Competem, cada vez mais, pela capacidade de escolher o melhor ambiente para investir, produzir e crescer.