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Como o tarifaço dos EUA já afeta a economia brasileira

O que estamos fazendo de concreto neste momento é uma compensação interna, sem confronto, com medidas de apoio ao setor produtivo.

Animo Creative

07.08

Lucas Borges

A escalada diplomática entre Brasil e Estados Unidos levanta um alerta sobre os limites da atuação diplomática tradicional, muito defendida por especialistas. Embora o caminho formal pela OMC esteja em discussão, vejo um consenso entre o mercado de que ações internas estratégicas podem surtir efeitos mais rápidos e concretos na mitigação dos impactos econômicos.

Em vez de depender exclusivamente de instâncias multilaterais, cujos processos costumam ser longos, politicamente travados e muitas vezes pouco eficazes, o Brasil pode — e já tem — buscado respostas domésticas coordenadas, como medidas de compensação ao setor exportador, reforço institucional à diplomacia comercial e incentivos à diversificação de mercados.

Vale comentar que diversificar mercados não é algo simples, já que as exportações brasileiras para os Estados Unidos são, em grande parte, de produtos finais e de maior valor agregado. Países como a China não possuem o mesmo perfil de consumo nem uma população com o mesmo poder de compra, o que dificulta uma substituição comercial equivalente.

No cenário atual, estamos em um ambiente político que lança uma sombra sobre as negociações comerciais entre Brasil e EUA, desacelerando as tratativas à beira de medidas tarifárias. A combinação entre decisões institucionais internas e sanções externas levanta dúvidas sobre a capacidade do Brasil de conduzir negociações estáveis em meio ao conflito político.

Mercado financeiro

Observamos uma aversão ao risco desde 2024, quando medidas econômicas internas levaram à maior retirada de capital estrangeiro da bolsa brasileira em quase uma década: R$ 24,2 bilhões. 

Já em 2025, apesar de o saldo no acumulado ainda ser positivo, com entrada líquida de R$ 20,6 bilhões, o sinal de alerta volta a acender com a retirada de R$ 6,3 bilhões apenas em julho, um reflexo direto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e do agravamento da incerteza política. Foi a maior saída mensal desde abril de 2024.

Por consequência, essa instabilidade política e comercial tem afastado investidores internacionais e pressionado ainda mais a economia brasileira. É uma fotografia da bolsa que deve adiar planos de investimento externo, prejudicando setores como infraestrutura e indústria (mercados de longo prazo que dependem de confiança para atrair capital).

Como o Brasil está agindo?

O que estamos fazendo de concreto neste momento é uma compensação interna, sem confronto, com medidas de apoio ao setor produtivo. Isso, a curto prazo, pode oferecer um respiro, mas é urgente um plano mais efetivo para lidar com os impactos do tarifaço, buscando o fortalecimento das negociações comerciais.

O mercado também teme uma possível retaliação dos EUA após dias de tensão e ruído na política interna.