Por Lucas Borges*
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em relação ao primeiro. O resultado representa uma desaceleração expressiva frente ao avanço de 1,4% observado nos três primeiros meses do ano.
Na comparação anual, o PIB avançou 2,2% frente ao mesmo período de 2024. Ainda assim, a trajetória confirma a expectativa de que a economia perderia fôlego ao longo de 2025, reflexo direto do impacto prolongado dos juros elevados sobre a atividade.
Consumo das famílias e agropecuária
Um dos pontos que chamam atenção é a estabilidade do consumo das famílias, que representa entre 60% e 70% do PIB. Tradicional motor da atividade, esse componente não mostrou expansão no segundo trimestre, sinalizando que o crédito mais caro e a inflação recente limitaram o poder de compra.
Já o setor agropecuário apresentou retração leve, de 0,1% no período, movimento esperado após o forte desempenho do primeiro trimestre, que é tradicionalmente impulsionado pela colheita da safra de grãos.
Juros altos e expectativa de inflação
O cenário atual é resultado da política monetária restritiva. Com a taxa de juros em patamar elevado há vários meses, o Banco Central busca justamente esfriar a economia para conter a alta de preços. A estratégia começa a surtir efeito: as expectativas de inflação vêm cedendo gradualmente, em linha com a desaceleração da atividade.
Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. Para 2025, a projeção gira em torno de 2,2%, consolidando um ritmo mais moderado de expansão.
Ambiente externo e riscos adicionais
No front internacional, os mercados financeiros têm reagido com relativa tranquilidade. Bolsa, câmbio e juros não registraram movimentos abruptos após a divulgação dos números. No entanto, permanece no radar a possibilidade de novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Brasil.
Há expectativa sobre um eventual anúncio do presidente Donald Trump durante ou após os julgamentos em curso. Entre as medidas cogitadas estariam a imposição de tarifas adicionais e restrições a investimentos, o que poderia afetar diretamente setores exportadores e a confiança empresarial no país.
Perspectivas
O quadro que se desenha é de uma economia que perde dinamismo em 2025, mas em contrapartida abre espaço para a queda mais consistente da inflação. O desafio para os próximos meses será equilibrar o processo de desinflação com a necessidade de preservar algum nível de crescimento e emprego, sobretudo em um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas e comerciais.




