Por Lucas Borges
Após a “super quarta” de setembro, o Federal Reserve deu início ao tão aguardado ciclo de cortes, reduzindo a taxa em 0,25 ponto percentual e sinalizando mais dois movimentos até o fim do ano. Já o Banco Central brasileiro optou pela cautela, mantendo a Selic em 15% pela segunda reunião consecutiva.
Essa combinação de decisões mostra um contraste interessante. Nos Estados Unidos, a preocupação se desloca para um mercado de trabalho menos aquecido e para os riscos de recessão, ainda que a inflação siga acima da meta de 2%. Já no Brasil, a estratégia é conter expectativas inflacionárias em um ambiente externo carregado de incertezas. Ao segurar os juros, o Copom prefere arriscar-se no campo do crescimento a perder o controle sobre os preços.
O impacto imediato é visível no mercado financeiro. O Ibovespa alcançou novo recorde intradia, acima de 146 mil pontos, e o dólar manteve-se estável na casa dos R$ 5,30, refletindo confiança relativa dos investidores na disciplina monetária brasileira. Ainda assim, a cautela permanece: se os Estados Unidos acelerarem seus cortes, a pressão por um ajuste mais rápido aqui tende a crescer.
A relação com os Estados Unidos segue sob atrito. A Casa Branca voltou a acenar para possíveis sanções adicionais. O risco é que a retórica política ultrapasse a diplomacia econômica e prejudique setores já fragilizados pelo comércio exterior.
No campo econômico o Brasil está diante de uma encruzilhada. De um lado, mantém juros altos e uma moeda valorizada, atraindo capital financeiro. De outro, precisa transformar essa vantagem em desenvolvimento sustentável, inovação industrial e estabilidade institucional. O risco de se apoiar apenas no diferencial de juros é repetir o padrão histórico de crescimento curto e ajustes longos.
Investimento em IA
As Big Techs anunciaram investimentos de US$ 50 bilhões no Reino Unido, com foco em inteligência artificial, chips avançados e nuvem. Uma medida interessante, pois, embora o Reino Unido tenha regimes fiscais exigentes (como impostos corporativos relativamente elevados e a digital services tax), o país também oferece várias políticas, estruturas e vantagens que compensam para grandes empresas de tecnologia, especialmente aquelas voltadas à pesquisa e desenvolvimento (P&D), infraestrutura de TI, inteligência artificial e centros de dados.
Existe uma competição global para atrair esses investimentos estratégicos em IA, computação em nuvem e data centers. O Reino Unido se posiciona como um hub competitivo na corrida tecnológica, e isso será cada vez mais um divisor de águas entre as economias capazes de atrair capital e aquelas que permanecerem presas a discursos pouco eficazes.




