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Competitividade: avanço modesto, desafios imensos

O avanço brasileiro no ranking do IMD é positivo, mas reflete, sobretudo, fatores conjunturais, como a retomada econômica pós-pandemia, aumento da confiança de investidores estrangeiros e melhora de curto prazo em indicadores fiscais.

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19.06

Lucas Borges

O Brasil subiu quatro posições no ranking global de competitividade do IMD (International Institute for Management Development), alcançando o 58º lugar entre 67 países avaliados. Embora o avanço represente uma boa notícia marcando a melhor posição brasileira desde 2021, o país continua entre os últimos colocados no levantamento, evidenciando que, apesar de progressos em algumas frentes, enfrenta obstáculos significativos para se tornar de fato competitivo no cenário global.

O relatório de 2024 aponta que o Brasil teve desempenho especialmente positivo no pilar de desempenho econômico, no qual ocupa a 30ª colocação. Entre os indicadores com melhores resultados estão o fluxo de investimento estrangeiro direto, onde o país aparece em 5º lugar, e a criação líquida de empregos no longo prazo, na 7ª posição. Também houve destaque na participação de energias renováveis na matriz energética (5º lugar) e na capacidade de gerar novos negócios e startups (8º lugar). Esses dados refletem uma economia mais aberta ao capital externo e um certo dinamismo empresarial, especialmente em setores tecnológicos e sustentáveis.

Mas os avanços não escondem as deficiências estruturais que historicamente limitam a competitividade brasileira. No pilar de eficiência governamental, o Brasil ocupa a 68ª posição no penúltimo lugar entre os países avaliados. A baixa qualidade da regulação, a burocracia excessiva, a complexidade tributária e a lentidão na formulação e execução de políticas públicas continuam sendo entraves significativos para o desenvolvimento.

O cenário também é preocupante no campo da eficiência empresarial. Ocupando a 56ª posição nesse critério, o país demonstra dificuldades em fomentar inovação, melhorar a gestão corporativa e capacitar sua força de trabalho. Mesmo com uma cultura empreendedora viva, muitas empresas esbarram em custos operacionais elevados, falta de previsibilidade regulatória e barreiras tecnológicas.

Na infraestrutura, o Brasil figura em 58º lugar. A deficiência logística, os altos custos de transporte e a baixa qualidade dos serviços de energia e conectividade afetam diretamente a competitividade dos produtos brasileiros, especialmente no comércio internacional. O investimento público e privado em infraestrutura ainda está abaixo do necessário, representando menos de 2% do PIB, quando o ideal seria acima de 3%.

Esse conjunto de fatores compõe o chamado “Custo Brasil”, um conjunto de ineficiências institucionais e econômicas que encarecem a produção e prejudicam a produtividade. Esse custo adicional pode chegar a 30% ou mais sobre o preço final dos produtos, comprometendo a capacidade do país de competir em igualdade com outras economias emergentes.

O avanço brasileiro no ranking do IMD é positivo, mas reflete, sobretudo, fatores conjunturais, como a retomada econômica pós-pandemia, aumento da confiança de investidores estrangeiros e melhora de curto prazo em indicadores fiscais. No entanto, a ausência de reformas estruturais como a tributária, a administrativa e a melhoria do ambiente regulatório limita o potencial de crescimento sustentável.

O caminho para um Brasil mais competitivo passa por reformas institucionais que tornem o Estado mais eficiente e previsível, investimento robusto e contínuo em infraestrutura física e digital, melhoria da qualidade da educação, com foco em capacitação técnica e tecnológica, e estímulo à inovação, com políticas públicas que fortaleçam o ecossistema de ciência aplicada.