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Selic a 15% e incertezas no radar: o que a nova ata do Copom sinaliza

Embora o recuo recente de tarifas nos Estados Unidos tenha sido interpretado como um alívio, a incerteza internacional permanece elevada.

Animo Creative

26.06

Lucas Borges

A ata da 271ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta semana, sinaliza um sinal claro de que o custo do capital seguirá elevado, e o cenário macroeconômico continuará pressionado por incertezas internas e externas.

Apesar da nova alta (taxa de juros), o Copom sinalizou a possibilidade de pausa no ciclo de aperto monetário, afirmando que avaliará os efeitos acumulados das decisões já tomadas. A política monetária continuará contracionista por um tempo prolongado, mas novas altas não estão descartadas caso a inflação volte a subir.

Vemos que a economia segue resiliente, com mercado de trabalho aquecido e consumo ainda forte. Isso reforça os chamados núcleos de inflação que exclui itens voláteis, algo que permanece acima da meta, o que exige juros altos para conter o ritmo da demanda.

As projeções de inflação continuam acima do centro da meta: 5,2% para 2025 e 4,5% para 2026, segundo o Boletim Focus. Para o Banco Central, esses números indicam a necessidade de manter os juros em patamar elevado por mais tempo, até que haja sinais consistentes de desaceleração.

O cenário externo ainda é um vetor de risco

A ata destaca os riscos geopolíticos, como a instabilidade no Oriente Médio e o ambiente de tarifas e políticas industriais protecionistas em países desenvolvidos. Embora o recuo recente de tarifas nos Estados Unidos tenha sido interpretado como um alívio, a incerteza internacional permanece elevada.

Além disso, o ritmo forte da atividade em economias como China e Índia, somado à aceleração da adoção de inteligência artificial nos EUA, também traz impacto sobre os fluxos de capital, preços de commodities e competitividade internacional.

Política fiscal 

A recomendação é clara: uma postura mais responsável e contracíclica do governo pode aliviar a pressão sobre os juros. A redução de incentivos fiscais e o aumento da previsibilidade nas contas públicas são vistos como complementares à política monetária para restaurar a confiança e destravar investimentos.

Com o custo do crédito é um momento de rever estratégias, ganhar eficiência e preparar cenários com base em diferentes curvas de juros, considerando tanto uma eventual estabilização quanto um início de queda gradual no futuro.

Além disso, a combinação de juros altos com incerteza internacional exige atenção especial a:

  • Liquidez e fluxo de caixa
  • Formação de reservas e gestão de passivos
  • Diversificação de mercados e proteção cambial
  • Eficiência operacional e digitalização de processos

Para empresas com foco em exportação, agronegócio ou tecnologia, o contexto externo pode representar oportunidade, desde que se mantenham preparadas para oscilações de preços e acesso ao crédito.

Cenário em curso

Com a Selic elevada por um período prolongado, em um cenário de crédito caro e riscos crescentes a cada nova oscilação política ou externa, o empresário brasileiro precisa agir com antecipação e clareza estratégica.

E há uma outra transformação já em curso. A reforma tributária. As novas regras fiscais exigirão ajustes profundos na operação e no planejamento. Por isso, no Jantar com Empresários, promovido pelo Mercado & Opinião no dia 30 de junho, em São Paulo, o tema será direto: Como as novas regras vão atingir sua empresa na prática.

Uma conversa com:

▪️ Armando Monteiro Neto – Ex-ministro da Indústria e Comércio
▪️ Lucas Ribeiro – Especialista em inteligência fiscal (Roit Group)
▪️ Gilberto Batista – Empresário e presidente da Controltech S/A

Em tempos de incerteza, informação qualificada e diálogo com quem está dentro do sistema são diferenciais estratégicos.