Lucas Borges
Acredito que, em tempos de polarização, é essencial focar no que realmente funciona. Quando o discurso se sobrepõe à prática, empresários e sociedade acabam assumindo custos que nem sempre trazem resultados concretos.
Dito isso, me deparei com um relatório preocupante. Hoje o Brasil está diante de uma saída considerável do capital produtivo. De acordo com o Henley Private Wealth Migration Report 2025, 1.200 milionários deixarão o país este ano, gerando uma evasão líquida de US$ 8,4 bilhões.
Embora a migração de fortunas seja uma tendência global, o que chama a atenção é que o Brasil não está apenas perdendo riqueza, mas criando barreiras para quem deseja continuar investindo.
A agenda de aumento da carga tributária, aliada à instabilidade regulatória e à sinalização política pouco pragmática, acende um alerta para empresários e investidores. Medidas como a proposta de elevar o IOF, o aumento da tributação sobre heranças e aplicações financeiras, em lucros e dividendos e a taxação de grandes fortunas — quando não acompanhadas de um plano coordenado e inteligente — enfraquecem a capacidade produtiva e afastam quem gera renda e emprego.
A tarifa de 50% imposta por Trump
Como sabemos, a recente tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump representa um novo elemento de tensão econômica. A medida impacta diretamente setores como carne bovina, aço, celulose e aeronaves, com risco de retração nas exportações para os EUA, o maior mercado de alto valor agregado para o Brasil.
Além da pressão cambial, que já desvalorizou o real e aumentou o custo de importações, a tarifa de Trump impõe uma necessidade urgente: o país precisa se posicionar estrategicamente, seja diversificando mercados, seja tornando seu ambiente mais competitivo para empresas e investidores.
E qual o cenário atual que se tem discutido:
- Empresas enfrentam crédito mais caro, pela proposta de aumento do IOF.
- Pequenos e médios negócios têm margem comprimida, impactados por carga tributária elevada.
- Startups e indústrias inovadoras perdem atratividade, diante da insegurança jurídica.
A consequência: menos capital, menos investimento e mais custo repassado ao consumidor, inclusive ao mais pobre, na forma de produtos mais caros, crédito restrito e escassez de oportunidades (Ou seja, no fim o discurso tem efeito inverso).
O que os países que atraem riqueza têm feito?
Países como Emirados Árabes, EUA, Cingapura e Austrália concentram a entrada de capital produtivo. Com menos burocracia, previsibilidade regulatória, incentivos à inovação e ambiente seguro para empreender. No fim a arrecadação sustentável não nasce do aumento de impostos, mas sim do crescimento da base econômica.
Brasil: simplificar para incluir
O setor produtivo é, na prática, quem financia o futuro.
Tributar os chamados “super-ricos” pode fazer parte de um sistema mais justo, mas só será eficaz se vier acompanhado de uma reforma pró-produtividade, coordenação internacional e racionalidade tributária.
O caminho mais transformador está em aumentar a produtividade, simplificar regras, dar segurança jurídica e atrair quem quer empreender. Mais do que arrecadar no curto prazo, é hora de construir uma economia capaz de incluir mais brasileiros. Pelo crescimento, não pela penalização.




