Por Lucas Borges*
O mercado financeiro brasileiro atravessa uma fase de contrastes. Se por um lado o real figura entre as moedas que mais se valorizaram em 2025, sustentado por juros elevados e fluxo de capital estrangeiro, por outro o ambiente político conturbado e as tarifas impostas pelos Estados Unidos ainda trazem incertezas para a economia.
Moeda brasileira em destaque
No acumulado do ano, o real já se valorizou 14,08% frente à moeda americana, desempenho que coloca o Brasil na terceira posição global, atrás apenas da coroa sueca e do franco suíço.
O diferencial de juros continua sendo o principal atrativo para investidores estrangeiros, que encontram no Brasil retornos mais robustos em comparação a outros países emergentes.
Enquanto isso, outras economias enfrentam dificuldades: o peso argentino caiu 27,4% em 2025, e a lira turca recuou 14,35%.
Exportações crescem, mas sofrem com tarifas
Apesar do cenário cambial favorável, setores da indústria já sentem os efeitos das barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano.
O setor automotivo vive um momento de contradição: em agosto, as exportações de veículos subiram quase 50%, mas a produção caiu 4,8% (247 mil unidades) e as vendas internas recuaram 5,1%. No acumulado do ano, a indústria ainda mantém alta de 6%.
A China e outros países do BRICS vêm ocupando o espaço deixado pelo Brasil no mercado americano, mudando a cadeia de fornecimento.
Perspectivas globais: Fed em foco
Nos Estados Unidos, a revisão de dados de emprego reforçou a expectativa de que o Federal Reserve promova três cortes de juros até o fim de 2025. Um alívio monetário desse porte tende a reduzir a pressão sobre o dólar e pode abrir espaço para o Banco Central brasileiro acelerar seu ciclo de cortes.
Entrada de capital é uma tendência?
A economia brasileira deve seguir atraindo fluxos externos no curto prazo, sustentada por juros elevados e pela valorização do real. No entanto, a combinação de instabilidade política doméstica, tensões com os Estados Unidos e risco fiscal mantém o ambiente de incerteza.
O grande desafio é administrar os ganhos imediatos sem comprometer a sustentabilidade das contas públicas.




